Ask me anythingArchive

Anonymous asked - "cara,seu tumblr me dá medo,que sonhos são esses?"

Anônimo,

Criei o blog pra acompanhar um processo de criação fotográfica que vai rolar pelos próximos dois anos, reunindo sonhos, pensamentos, anotações, referências e rascunhos pertinentes. Ok! Eu sei que ele tá virando um diário de sonhos, e apesar dele — o projeto — ser sobre fotografia e surrealismo, vou corrigir isso em breve com outros tipos de texto, que estou trabalhando neste momento, e quem sabe até encontrar interpretações pras estas mensagens do inconsciente. Até lá espero poder contar com seu feedback :)

The police once forgot to pick me up on May Day. I already had my little suitcase packed and was waiting for them to come and take me to the insane asylum. I waited and waited but they didn’t come. I then got tired of waiting, left the house and went out onto the square. There were red flags everywhere, women in traditional folk costume; Pioneers were marching four abreast in the street […] everyone saw me. About two minutes passed before suddenly my policemen were standing beside me. And I was soon on the way to the insane asylum…
Miroslav Tichy
Having proven himself a master metropolitan portraitist with his pictures of New York in the ’40s and ’50s, Feininger turned his attention to other realms in more than 340 assignments for LIFE through the years. See a selection of his work here.
(Andreas Feininger—Time & Life Pictures/Getty Images)
les-sources-du-nil:

Charles François Jeandel (1859-1942)
Woman on her back, tied up and wrapped in a length of cloth, circa 1890-1900

Sonho #4

São Paulo, 10/03/2013
Estava no quarto em que estou morando agora, quando vi uma sanguessuga — daquelas negras, compridas como lesmas, mas mais achatadas — subindo pela parede. Eu queria dormir, mas primeiro tinha que tirá-la de lá. Este tipo de bicho aparecia na casa que eu estava morando anteriormente, em determinadas épocas e eu fiz o que estava acostumado a fazer quando elas apareciam: usando uma pá de lixo de alumínio, retirei-as com alguma dificuldade da parede porque as desgraçadas são bem grudentas, como já é de se esperar.

Enquanto isto os meninos da república em que fica este quarto que estou morando agora, conversavam na cozinha como costumam fazer. Meu quarto é do lado da cozinha e sempre dá pra escutar tudo, eu gostando ou não. Acho que falavam mal de algum hóspede novo. Não estou certo quanto ao assunto, mas sei que existe realmente um hóspede novo aqui que eu não sei quem é porque tem muitas pessoas que eu mal conheço de vista, neste lugar. Este lugar é muito grande e tem muita gente.

Quando consegui retirar a sanguessuga, vi outra subindo por outra parede e retirei-a da mesma maneira que a anterior. Ver duas ou três sanguessugas de vez aparecerem era normal lá na minha casa e, portanto não liguei. Mas começaram a aparecer grupos de sanguessugas e algumas delas se movimentavam numa velocidade espantosa. Aquelas que “caminhavam” isoladas logo buscavam se juntar às outras gregárias, o que tornava ainda mais difícil dar conta de retirá-las com a pá de lixo. Eram bichos realmente nojentos e em determinado momento eu percebi que eles estavam vindo em direção a minha cama, mais especificamente em direção a mim. Algumas delas eu já tinha que tirar de cima do lençol da cama.

Não me lembro se tentei sair do quarto ou se tentei chamar os meninos que conversavam na cozinha (desconfio que ambos) mas fui ficando cada vez mais angustiado e minhas forças pra lutar contra as malditas sanguessugas começaram a se esvair.

Os meninos ainda conversavam e eu nunca vou saber se tal conversa era real e invadiu meu sonho — assim como aconteceu no “Sonho #3” — ou se isto só existia dentro da minha cabeça. Sei que assim como também no “Sonho #3” tudo se passou dentro do meu quarto.

Quando eu finalmente não podia mais com aquela situação, desisti e simplesmente parei conformado com o que quer o destino fosse me fazer. Então respirei por um momento e disse a mim mesmo que talvez aquilo que fosse acontecer talvez nem fosse tão ruim. Na sequência, ocorreu-me outro pensamento que foi perceber que aquilo era surreal demais e eis que as sanguessugas começarem a desaparecer.

Acordei averiguando as paredes…

Curioso pensar que este sonho se deu justamente num dia em que eu simplesmente abandonei diversos afazeres e obrigações inadiáveis — devido a um estado de exaustão física e mental —, e que isto me deixará numa situação bem complicada pelos próximos dias. Não há sanguessugas vindo em minha direção pelas paredes, mas há coisas” igualmente chatas e angustiantes vindo em minha direção pelo tempo.

O sonho aconteceu há algumas horas e neste momento, estou cansado, sem sono, com fome, sem coragem e com vontade de largar tudo. Que o diabo o carregue!

Floured Piece, Buffalo, New York by Les Krims, 1971

Sonho #2

Revirando uma papelada, para minha surpresa, encontrei o registro deste outro sonho antigo que eu não lembrava mais nem de ter sonhado e nem de ter escrito. Por estar registrado junto ao Sonho #1 — e portanto ambos devem ter acontecido com intervalos pequenos — e estar relacionado a época da minha faculdade antes de eu trancá-la, podemos dizer que ela aconteceu há um ou dois anos atrás. Apesar de ser um sonho nebuloso e com algumas lacunas, é possível narrá-lo…

É notável como é recorrente a influência de filmes nos meus sonho — uma vez sonhei inclusive que estava dentro daquele filme “O Último Samurai” e olha que eu nunca assisti ele. Desta vez sonhei que estava dentro de uma festa de aniversário que fizeram pra mim com amigos que eu nunca tinha visto e a festa acontecia no mesmo lugar onde acontecia a festa do filme “Toby Dammit”, dirigido por Federico Fellini e inspirado na obra de Edgar Allan Poe.

A festa concentrava-se numa grande mesa, numa grande sala de uma casa inacabada com as paredes de tijolos e se não me engano sem teto também. A casa parecia ficar no meio de uma floresta, mas havia árvores inclusive dentro de alguns cômodos da casa como se fossem florestas dentro dos cômodos. Em algum momento do sonho eu precisei sair pois algum amigo me avisou que a casa estava prestes a ser invadida por zumbis. Fui até a floresta e vi os mortos-vivos que ao contrário daqueles zumbis old school, movimentavam-se como aqueles frenéticos do filme “Extermínio” de Danny Boyle porque eram muito ninjas. Voltei para a festa e pedi para os amigos a par da situação revezarem comigo na vigilância da casa para que os zumbis não chegassem à sala onde ocorria a festa e alarmassem os convidados.

Sentei-me à mesa para dar atenção aos convidados e começou a surgir um boato de que algum psicopata ou terrorista estava entre os convidados — como se eu já tivesse pouca merda pra me preocupar. De repente, vejo no canto da sala um ex-affair que fora a coisa mais próxima de uma namoro que eu já tive, sentado numa cadeira dobrável, dessas de bar. Ele se levanta e vem até a mesa, mas eu, acho que para não ter que falar com ele, levanto-me e saio para outro lugar da sala, deixando-o conversando com outras pessoas da mesa. Nisto outra pessoa toma o lugar dele na cadeira no canto da sala — um famoso ator que de acordo comigo mesmo na época em que registrei este sonho “talvez não precise dizer o nome” mas que agora não me lembro qual e estou muito curioso. A mesa explode, destroçando todos que estavam sentados nela, menos o ator. Eu fui então correndo até ele para avisar para ele fugir porque havia alguém tentando matar todo mundo ali, mas então ele sorriu pra mim e eu percebi que era ele o terrorista. Ele levantou e começou a vir atrás de mim. No meio da perseguição — que aliás era bem bagunçada — eu corria pela floresta, quando comecei a me sentir muito pesado e percebi que havia aparecido, do nada, uma mochila muito pesada nas minhas costas. Livrei-me dela e continuei a correr desesperado e tentando não olhar pra trás. Cheguei numa rua e ao encontrar um grupo de amigos, eles me avisam que alguém que eu não me lembro quem não conseguira sair. Apesar do pânico, saio correndo de volta para a casa e encontro a tal pessoa machucada e perdida em meio a floresta caótica cheia de sangue e fogo. Quando a ajudava a fugir para fora da floresta, tive o estalo e dei-me conta de que estava num pesadelo.

Espantei o sonho, mas continuei dormindo, ao que veio a segunda parte do sonho…

Nele, eu estava dentro do metrô voltando da faculdade como sempre faço, com um amigo meu contando (veja só!) meus sonhos perturbadores, inclusive sobre a festa que acabara de acontecer e o sonho do ensopado de cachorro, que aqui é registrado como “Sonho #1”. Ele dá risada de tudo aquilo, e em alguns momentos eu começo a discutir com os outros passageiros por algum motivo. Uma moça se zanga comigo e pede para que eu tenha calma. Chamo ela de um nome horroroso (deveria ter escrito qual). Meu amigo intercede, faz amizade com ela e saímos os três do metrô andando pela rua. Os dois começam a namorar, eu peço desculpas pra ela e vamos pra casa dela (um lugar que eu não lembro direito onde era), mas brigamos de novo.

Agora “acordado”, a moça com quem briguei no metrô do sonho, eu a tinha visto no ônibus, no dia anterior, e ela era tão bonita que era impossível tirar o olhos. Devia ter uns 16 anos, tinha o rosto delicado mas não enjoado, olhos claros que eu não sei a cor porque sou daltônico e os cabelos loiros cheios, encaracolados e esvoaçantes.
No dia seguinte — ou no outro —, voltando da faculdade, de metrô, parte do sonho se concretizou… Contei ao amigo com quem sempre volto (não é o mesmo do sonho) sobre estes sonhos perturbadores e ele me contou outro muito interessante também, de volta, e me disse para escrever sobre eles. Realmente valeu a pena registrá-los. Queria ter feito isto mais vezes mas agora a coisa vai começar a funcionar.

Sometimes your Daguerreotype boyfriend might be a Daguerreotype girlfriend. 
Women lived in germ-ridden camps, languished in appalling prisons, and died miserably, but honorably, for their country and their cause just as men did.
The untold stories of women who dressed and served as men in the Civil War
David Wojnarowicz’s - Buffalo photograph. “One of the most powerful protest photographs taken during Ronald Reagan’s corrupt and senile 1980s is not documentary in nature, makes no explicit reference to politics, and doesn’t have a title. It was taken by a man who was dying of AIDS, who was terribly abused as a child, and who had worked as a teenage prostitute in New York’s Times Square.” Text by: John Sevigny